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terça-feira, 27 de março de 2012

Merkel admite reforçar fundo de socorro para fazer face a “fragilidades” portuguesas e espanholas


Berlim abre a porta a uma maior dotação do fundo de socorro em antecipação da reunião do Ecofin


A chanceler alemã Angela Merkel abriu a porta à utilização em simultâneo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), aumentando a dotação dos fundos de socorro para 700 mil milhões de euros no total, em conferência de imprensa em Berlim na segunda-feira.

As razões para o possível reforço prendem-se com a existência de “uma sensibilidade ou uma fragilidade relativamente grande” nos mercados financeiros em relação à evolução das taxas de juro da dívida portuguesa e espanhola. Merkel deixa cair, assim, a sua oposição ao aumento de dotação do fundo de socorro, em antecipação da reunião do Ecofin esta sexta-feira, em Copenhaga.

Com a já acordada dissolução do FEEF até Julho deste ano, entrará em vigor o MEE, com uma dotação de 500 mil milhões, à qual poderão vir a acrescer os 200 mil milhões ainda previstos no funcionamento do FEEF. A chanceler alemã acrescentou também que este mecanismo “poderá ser a base” de uma maior intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) no combate à crise europeia.

sábado, 24 de março de 2012

Apesar de elogiada, execução orçamental portuguesa abaixo do esperado


Moritz Kraemer, da S&P, considera que uma reestruturação portuguesa "não é inevitável"


A receita do Estado caiu 4,3% nos dois primeiros meses deste ano, enquanto que a despesa cresceu 3,5%, face ao período homólogo de 2011, segundo dados divulgados na passada terça-feira pelo Ministério das Finanças.

Com a quebra nas receitas fiscais de 5,3%, para a qual contribuiu uma diminuição de 1,1% nas receitas do IVA, cerca de 30 milhões de euros abaixo dos objectivos do Orçamento do Estado para 2012, e de 9% nas receitas de IRS e IRC, entraram menos 315 milhões de euros em impostos nos cofres do estado.

Já do lado da despesa, apesar de uma diminuição de 0,3% na despesa primária, fruto de uma “redução significativa de pessoal nos estabelecimentos de ensino não superior”, a evolução negativa é explicada pela “transferência de cerca de 348 milhões de euros para a RTP destinados à regularização de dívidas desta entidade”.

A Comissão Europeia apelidou o ajustamento orçamental de 2011 de “notável” no relatório sobre a terceira avaliação da troika ao programa de ajuda financeira a Portugal. Apesar de reconhecer que a economia nacional “continuará a enfrentar dificuldades” e que “subsistem desafios”, o comunicado a que a Bloomberg teve acesso sublinha que o programa “está no bom caminho”.

Também o Banco Central Europeu (BCE), pela voz do membro de Conselho Ewald Nowotny, fez questão de ressalvar que Portugal “está em muito melhor estado” que a Grécia, destacando o seu “melhor rácio de endividamento” e a “evolução do seu comércio externo”.

Elogios que se estendem à agência de notação financeira Standard & Poor’s, com o líder das notações soberanas europeias da companhia, Moritz Kraemer, a considerar que uma eventual reestruturação da dívida “não é inevitável” e que o país tem “razões para estar optimista”.

Grécia na frente do pelotão dos grevistas europeus


Fonte: Associação Internacional de Relações Industriais


A Greve Geral da passada quinta-feira em Portugal foi a terceira em ano e meio, mas o país é apenas o décimo estado europeu com maior número de dias de trabalho perdidos por greves nos últimos 30 anos.

Segundo um estudo elaborado para a Associação Internacional de Relações Industriais, a Grécia é o país europeu com mais greves gerais entre 1980 e 2008, 38. Um número a que se juntam as onze paralizações totais do trabalho que o país viu desde que se submeteu ao programa de ajustamento financeiro da troika, a última das quais de 48 horas no passado mês de Fevereiro.

Já na Irlanda, a intervenção financeira da troika trouxe a primeira greve geral em trinta anos, a 24 de Fevereiro de 2009, em protesto contra os cortes orçamentais e os despedimentos no sector público. Ainda assim, a Irlanda não deixa de ser o quinto país com mais dias de trabalho marcados por greves na Europa.

Em Portugal, a greve geral da última quinta-feira, convocada pela CGTP, foi apenas a oitava desde 1974, depois de paralizações totais em 2011, 2010, 2007, 2002, 1988 e duas em 1982.

Nova recessão irlandesa gera preocupações nos mercados



O Primeiro Ministro Enda Kenny viu a Irlanda mergulhar na sua primeira recessão desde 2009

A Irlanda juntou-se à Bélgica, Grécia, Itália, Holanda, Eslovénia e Portugal no grupo dos países europeus em recessão, segundo dados divulgados na passada quinta-feira pelo Central Statistics Office (CSO) irlandês.

A quebra de 0,2% no PIB do quarto trimestre de 2011, depois da diminuição de 1,1% no terceiro, parece confirmar, de acordo com o Wall Street Journal, os receios de alguns analistas de que o programa de austeridade do Governo chefiado pelo primeiro-ministro Enda Kenny, associado à contracção das exportações, se faria repercutir nos números de crescimento do país.

De acordo com o Telegraph, os mercados europeus reagiram em baixa à recessão irlandesa, à greve geral portuguesa e ao anúncio da queda do índice PMI.  O DAX alemão caiu 1,4%, o CAC francês 1,6% e o FTSE britânico 0,9% nas sessões de quinta-feira. O índice PMI (Purchasing Managers’ Index), que mede a actividade comercial no sector privado na Europa, caiu 0,6 pontos esta sexta-feira para 48,7, o seu valor mais baixo dos últimos três meses.

“Com a actividade económica francesa e alemã em patamares tão baixos de crescimento, quando têm sido eles os catalizadores para o crescimento europeu, seria de esperar algum receio da parte dos agentes económicos europeus”, defendeu Brad Thompson, analista de investimentos na Stadion Money Management em Watkinsville, Georgia.